quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

De que nos falam os livros da feira


"A partir do momento em que se coloca o problema do tempo para ler, é porque a vontade não está lá. Porque, se pensarmos bem, ninguém jamais tem tempo para ler. Nem pequenos, nem adolescentes, nem grandes. A vida é um entrave permanente à leitura.
(...) O tempo para ler é sempre um tempo roubado. (Tanto como o tempo para escrever, aliás, ou o tempo para amar.).
Roubado a quê?
Digamos, à obrigação de viver.
(...) O tempo para ler, como o tempo para amar, dilata o tempo para viver.
(...)Eu nunca tive tempo para ler, mas nada, jamais, pôde me impedir de terminar um romance de que eu gostasse.
A leitura não depende da organização do tempo social, ela é, como o amor, uma maneira de ser.
A questão não é saber se tenho tempo para ler ou não (tempo que, aliás, ninguém me dará), mas se me ofereço ou não a felicidade de ser leitor.”

Este livro é uma declaração de amor ao acto de Ler, além de um excelente guia para pais e professores sobre como aproximar crianças e jovens da leitura.

O autor deste livro, Daniel Pennac, adverte para o facto de que nem todos continuarão a ler pela vida fora e sistematiza os direitos do leitor, propondo dez itens, cujo primeiro é o direito de não ler:
DIREITOS IMPRESCRITÍVEIS DO LEITOR
1. O direito de não ler.
2. O direito de pular páginas.
3. O direito de não terminar um livro.
4. O direito de reler.
5. O direito de ler qualquer coisa.
6. O direito ao bovarismo (doença textualmente transmissível).
7. O direito de ler em qualquer lugar.
8. O direito de ler uma frase aqui e outra ali.
9. O direito de ler em voz alta.
10. O direito de calar.

Daniel Pennac é um dos grandes romancistas da actualidade francesa e a sua obra aborda vários géneros como o ensaio, o teatro, o conto, a fábula e a banda desenhada. Como Um Romance expõe a sua teoria sobre o estímulo à leitura entre os jovens, baseada em muitos anos de prática como professor de Literatura em liceus de Paris.

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